Eis a Moradas dos Desgraçados e Perdidos...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Quem pode comprar essas iguarias?


Bons dias!
Ah o comércio! Que maravilha, que espetáculo que grandiosidade é essa ação humana geradora de tantos lucros e benefícios até mesmo quando este se realiza na sala dos professores durante o bom e velho atpc. Aquele momento onde os professores se reúnem para discutir aspectos da realidade escolar e para aprimorar sua formação ao lado de seus camaradas...
Ora que o diabo carregue o atpc e a formação dos professores, pois aquela mesa nunca esteve tão bonita e recheada! Ah, eram tantos docinhos de Coco, maracujá, Goiabadas, Geléias e que Geléias senhoras e senhores que Geléias!  Calma que ainda nem falei dos salames e dos queijos que naquele momento de atpc onde os professores se quer têm um copinho plástico para tomar café estavam tão desejosos como uma dama em seu período de gestação por um daqueles provolones, parmesão e requeijões que deliciavam aquele momento sublime de capacitação do professorado.
Porém, o leitor que aqui se encontra desejoso por estas iguarias já deve estar pensando será que os professores não poderiam provar um pouquinho? 
Não camaradas todas estas iguarias estavam para serem comercializadas... Negócios camaradas, negócios!  E não se fazem negócios deixando esses professores provarem essas iguarias. Eles precisam comprar para que o comércio prospere para que no mês que vem esse moço possa voltar no atpc e encher essa mesa com todas essas iguarias.
Mas todos ou quase todos compraram, afinal você pode sempre pode pagar depois... O comércio também se alimenta por prestações pois de grão em grão o vendedor enche sua carteira e faz com que todo professor leve em sua bolsa uma geléia ou ao menos um requeijão.
Claro houveram aqueles que só puderam ficar olhando de soslaio para todos os manjares ali na mesa do atpc... Eles olhavam para sua carteira e nos seus aplicativos para consultar seu saldo - negativo. Não podem comprar o nem mesmo um biscoitinho. Mas ficou nele o desejo... Quem sabe o mês que vem.

Mas e o atpc?  E a formação do professor e os problemas de aprendizagem dos alunos? Que o diabo carregue tudo isso! Principalmente o atpc!

Pensava o professor que se quer pode comprar um requeijão.

sábado, 15 de outubro de 2016

Um monte de reclamações


Bons dias, apesar de todas as desgraças que contemplamos em nosso país! Hoje é mais um daqueles dias onde todos fazem declarações lindas e motivadoras para um sujeitinho cada vez mais sem importância – ora caro leitor é óbvio que estou falando do professor não há necessidade de fazer cara de espanto... Todos chegaram a mesma conclusão, porém, não é legal falar isso.
Já posso ver seu semblante se fechando e a discordância prestes a sair de sua garganta, mas por acaso te lembras da última aula que tiveste? Mas é claro que não. Guarde sua vergonha para si, pois isso é algo mais que frequente do que pensas.
Ninguém dá importância a esse ser fracassado fica gritando diante de um punhado de jovens que são obrigados a ficar em uma sala escura e fechada com um quadro cheio de frases e fórmulas... Esse que fica na frente já está perdendo a voz e os cabelos, tanto por desgosto como por causa das dívidas... Talvez você não saiba, mas esse louco que está gritando e batendo nas carteiras a procura de silêncio é um dos mais endividados em nosso País.
Nem entre seus pares ele têm amigos. Esse fracassado tentou fazer greve, mas apenas arrumou confusão com seus colegas que pretendiam votar no seu patrão e diziam que a greve era coisa de comunista... Deixemos a greve e o comunismo de lado e falemos um pouco mais sobre esse tal de professor...
Ah, vejo que já te enjoas de ouvir tal ladainha, tudo bem vou deixar-te partir. Posso compreender bem sua frustração, já bastam os 11 anos que passou vendo esses idiotas gritando, chorando por atenção enquanto tentavam escrever um monte de palavras sem sentido... Prometo que estou terminando, afinal até eu fico decepcionado quando penso na trajetória do professor – cada dia mais doente e mais fracassado, um sujeitinho que vive humilhado... E pensar que tentei me tornar um professor.

Deixemos que o diabo carregue esse ideal, afinal hoje é dia do professor e parece que você preparou uma mensagem bem legal para esse sujeitinho não é?

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um breve momento de reflexão


A festa - Rola, sem parar
                                       .
                                         .
                                            .
                                            Antes qu'eu m'esqueça
                                            Qual das duas cabeças
                                            Estive a usar?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sino de Belém


... Já nasceu o deus
Menino para o nosso bem...

- De quem?
Daquele qu'está debaixo dos pneus?
Talvez o morador de rua 
Espancado pelo justiceiro 
Tenha uma opinião diferente da tua, 
Afinal, ele viu um monte de neguinho 
 Ser fuzilado o ano inteiro. 
Bem, vamos torcer 
Para que a mãe do deus menino
Não tenha sido estuprada pelo divino 
Pois, se tiver - teremos d'esquecer.
Do contrário, nossa querida festa 
Terá uma coloração
Um tanto indigesta 
Que estragaria nossa comemoração.
Por isso, não conte nada 
Ao menino deus 
Pois a oração que sair dos lábios teus 
Não será escutada. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Encontrando a solução


Sabe-se que a vida 
É uma causa perdida 
Então porque não encerrar tudo com uma bala
Para que as sobras parem na vala?

O que nos prende a esse mundo
Se ao chegarmos ao fundo
Do poço - a miséria continua...
Estamos aqui como uma criança nua.

Mesmo que seus joelhos caiam no chão
O silêncio e a solidão
São os únicos presentes 
O resto... São nadas ausentes. 

Logo, a única dúvida é esta: 
Por que não colocar uma bala na testa 
E dar um fim a essa desagradável festa?
  

sábado, 19 de setembro de 2015

Declínio de um homem ou o relato da destruição de uma esperança

Há tempos que não apresentava nada nesse espaço dessa mísera favela, mas a situação mudou quando me deparei com a obra de Osamu Dazai (1948). É simplesmente impossível ler essa obra e não ser tocado, ou melhor, abraçado por toda desesperança e amargura que Declínio de um homem evoca.
Essa foi a última obra que o autor publicou antes de cometer suicídio dias antes de completar 38 anos e nessa obra há diversos da vida do autor (talvez seja um dos motivos para que esta venha ter tanta força – afinal o autor depositou os pedaços finais de sua trágica vida nela).
A história é uma espécie de relato autobiográfico do “jovem” Yozo apresenta os motivos de seu “declínio como ser humano” e justamente nesses motivos vemos diversos aspectos que nos acompanham diariamente. O primeiro deles é a nossa cada vez mais profunda incapacidade empática; na obra temos esse ponto inicial com a grande família do personagem principal onde todos estão completamente atarefados e não conseguem perceber a fragilidade de Yozo. Se pensarmos nas várias instituições de nossa querida sociedade veremos esse mesmo ponto: Nossas famílias crescem mortas, as escolas são lugares inóspitos e falidos que se quer conseguem transmitir conhecimento quanto mais ajudar a humanizar as Igrejas cristãs... Até o Deus delas já era...
O segundo ponto de Declínio do Homem que Yozo passa é a falsificação de si próprio, pois desde cedo ele viu a sujeira das pessoas e devido a sua insegurança que cada vez mais foi se tornando sua fraqueza não foi capaz de combatê-la e para esconder sua angústia criou uma persona alegre: Ele que era um ser melancólico e temeroso por dentro tornou-se um piadista, um rapaz extremamente divertido por fora, capaz de arrancar sorrisos de qualquer e assim esconder suas angústias e o medo constante das pessoas que trazia consigo. E quantas vezes nós mesmos não seguimos esse caminho de inautenticidade construindo uma máscara que melhor se adapte as normas falidas de nossa sociedade. Quantas vezes aceitamos destruir nossos sonhos e desejos apenas para termos a falsa aceitação de pertencermos a um maldito grupinho... Mas essa tática não dá certo... E Yozo nos mostrou perfeitamente o seu fracasso...

Temos o terceiro e o 4 ponto do declínio do homem (Coloco os dois juntos para tentar evitar qualquer tipo de Spoiler sobre a obra).

Uma hora nossas máscaras acabam caindo e aí somos obrigados a encarar a desgraça dessa Era ou fugir dela – Yozo escolheu fugir da Era e fez isso através das drogas e uma bem conhecida que geralmente está a nossa mão o álcool. Yozo assim como o próprio autor tiveram problemas terríveis com o álcool e vemos tudo ao seu redor ser destruído. E como nenhum homem é uma ilha Yozo acaba levando ou contribuindo para arruinar a vida de diversas mulheres ao longo de sua vida. Cabe aqui um trecho da obra que se encontra inclusive na traseira do livro:

“Com o tempo, aprendi que bebidas, cigarros e prostitutas eram os instrumentos que eu dispunha, ainda que de forma temporária para dissipar meu pavor dos seres humanos. Mesmo se precisasse vender tudo o que possuía para dispor desses instrumentos, eu o faria de bom grado.”

Infelizmente essa é uma das posições mais freqüentes em nossos dias, quantas mulheres e meninas não são simplesmente destroçadas para que nós e (principalmente os homens possam aliviar suas vergonhas, medos ou possam se mostrar poderosos para os outros)? Ou pior, quantos casamentos não são o palco onde uma destruição mútua ocorre diariamente?
Temos nessa obra a retratação das favelas existentes em nós. Osamu Dazai através de Yozo mostrou deu voz a alguém que já estava morto em vida – alguém que foi transformado em um pilho e nos convidou a olhar para os diversos piolhos existentes em nossa sociedade. Talvez uma olhada rápida no visor do seu celular ou em algum espelho de sua casa mostre um dos primeiros piolhos que devem ser ajudados...
Devemos pensar o Declínio de um Homem como a última esperança de não ver declinada o último fio que segura essa pobre coitada... Essa obra foi criada para que possamos procuramos o Yozo dentro de nós e pelas vielas e sarjetas afogados na bebida, nas devassidões e no desespero que cria cada dia mais favelas intransponíveis.




Essa é com toda certeza uma obra que merece ser lida.

domingo, 13 de setembro de 2015