Eis a Moradas dos Desgraçados e Perdidos...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um breve momento de reflexão


A festa - Rola, sem parar
                                       .
                                         .
                                            .
                                            Antes qu'eu m'esqueça
                                            Qual das duas cabeças
                                            Estive a usar?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sino de Belém


... Já nasceu o deus
Menino para o nosso bem...

- De quem?
Daquele qu'está debaixo dos pneus?
Talvez o morador de rua 
Espancado pelo justiceiro 
Tenha uma opinião diferente da tua, 
Afinal, ele viu um monte de neguinho 
 Ser fuzilado o ano inteiro. 
Bem, vamos torcer 
Para que a mãe do deus menino
Não tenha sido estuprada pelo divino 
Pois, se tiver - teremos d'esquecer.
Do contrário, nossa querida festa 
Terá uma coloração
Um tanto indigesta 
Que estragaria nossa comemoração.
Por isso, não conte nada 
Ao menino deus 
Pois a oração que sair dos lábios teus 
Não será escutada. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Encontrando a solução


Sabe-se que a vida 
É uma causa perdida 
Então porque não encerrar tudo com uma bala
Para que as sobras parem na vala?

O que nos prende a esse mundo
Se ao chegarmos ao fundo
Do poço - a miséria continua...
Estamos aqui como uma criança nua.

Mesmo que seus joelhos caiam no chão
O silêncio e a solidão
São os únicos presentes 
O resto... São nadas ausentes. 

Logo, a única dúvida é esta: 
Por que não colocar uma bala na testa 
E dar um fim a essa desagradável festa?
  

sábado, 19 de setembro de 2015

Declínio de um homem ou o relato da destruição de uma esperança

Há tempos que não apresentava nada nesse espaço dessa mísera favela, mas a situação mudou quando me deparei com a obra de Osamu Dazai (1948). É simplesmente impossível ler essa obra e não ser tocado, ou melhor, abraçado por toda desesperança e amargura que Declínio de um homem evoca.
Essa foi a última obra que o autor publicou antes de cometer suicídio dias antes de completar 38 anos e nessa obra há diversos da vida do autor (talvez seja um dos motivos para que esta venha ter tanta força – afinal o autor depositou os pedaços finais de sua trágica vida nela).
A história é uma espécie de relato autobiográfico do “jovem” Yozo apresenta os motivos de seu “declínio como ser humano” e justamente nesses motivos vemos diversos aspectos que nos acompanham diariamente. O primeiro deles é a nossa cada vez mais profunda incapacidade empática; na obra temos esse ponto inicial com a grande família do personagem principal onde todos estão completamente atarefados e não conseguem perceber a fragilidade de Yozo. Se pensarmos nas várias instituições de nossa querida sociedade veremos esse mesmo ponto: Nossas famílias crescem mortas, as escolas são lugares inóspitos e falidos que se quer conseguem transmitir conhecimento quanto mais ajudar a humanizar as Igrejas cristãs... Até o Deus delas já era...
O segundo ponto de Declínio do Homem que Yozo passa é a falsificação de si próprio, pois desde cedo ele viu a sujeira das pessoas e devido a sua insegurança que cada vez mais foi se tornando sua fraqueza não foi capaz de combatê-la e para esconder sua angústia criou uma persona alegre: Ele que era um ser melancólico e temeroso por dentro tornou-se um piadista, um rapaz extremamente divertido por fora, capaz de arrancar sorrisos de qualquer e assim esconder suas angústias e o medo constante das pessoas que trazia consigo. E quantas vezes nós mesmos não seguimos esse caminho de inautenticidade construindo uma máscara que melhor se adapte as normas falidas de nossa sociedade. Quantas vezes aceitamos destruir nossos sonhos e desejos apenas para termos a falsa aceitação de pertencermos a um maldito grupinho... Mas essa tática não dá certo... E Yozo nos mostrou perfeitamente o seu fracasso...

Temos o terceiro e o 4 ponto do declínio do homem (Coloco os dois juntos para tentar evitar qualquer tipo de Spoiler sobre a obra).

Uma hora nossas máscaras acabam caindo e aí somos obrigados a encarar a desgraça dessa Era ou fugir dela – Yozo escolheu fugir da Era e fez isso através das drogas e uma bem conhecida que geralmente está a nossa mão o álcool. Yozo assim como o próprio autor tiveram problemas terríveis com o álcool e vemos tudo ao seu redor ser destruído. E como nenhum homem é uma ilha Yozo acaba levando ou contribuindo para arruinar a vida de diversas mulheres ao longo de sua vida. Cabe aqui um trecho da obra que se encontra inclusive na traseira do livro:

“Com o tempo, aprendi que bebidas, cigarros e prostitutas eram os instrumentos que eu dispunha, ainda que de forma temporária para dissipar meu pavor dos seres humanos. Mesmo se precisasse vender tudo o que possuía para dispor desses instrumentos, eu o faria de bom grado.”

Infelizmente essa é uma das posições mais freqüentes em nossos dias, quantas mulheres e meninas não são simplesmente destroçadas para que nós e (principalmente os homens possam aliviar suas vergonhas, medos ou possam se mostrar poderosos para os outros)? Ou pior, quantos casamentos não são o palco onde uma destruição mútua ocorre diariamente?
Temos nessa obra a retratação das favelas existentes em nós. Osamu Dazai através de Yozo mostrou deu voz a alguém que já estava morto em vida – alguém que foi transformado em um pilho e nos convidou a olhar para os diversos piolhos existentes em nossa sociedade. Talvez uma olhada rápida no visor do seu celular ou em algum espelho de sua casa mostre um dos primeiros piolhos que devem ser ajudados...
Devemos pensar o Declínio de um Homem como a última esperança de não ver declinada o último fio que segura essa pobre coitada... Essa obra foi criada para que possamos procuramos o Yozo dentro de nós e pelas vielas e sarjetas afogados na bebida, nas devassidões e no desespero que cria cada dia mais favelas intransponíveis.




Essa é com toda certeza uma obra que merece ser lida.

domingo, 13 de setembro de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Por uma nova realidade


Como o mundo cotidiano é pobre, injusto e sem perspectivas quando comparado com a multiplicidade de realidades e possibilidades que se apresentam nas mais variadas formas de literatura, Nas HQs, nos mangás, nos  Games e no RPG.

Neles você sempre tem a chance de vencer a mediocridade – mesmo na derrota, no fracasso, ou na própria mediocridade; quando estes conceitos ou fatos do nosso cotidiano aparecem evidenciados nessas outras realidades/ficções que temos o poder e a chance de criar.

Mas esse “poder” ao mesmo tempo parece ser uma bênção/maldição, pois essas novas ficções por nós criadas (vamos considerar nossa realidade cotidiana como outra ficção) podem nos proporcionar uma dose de alento e de esperança para suportar as desgraças e incertezas desse real tornam-se de imediato uma maldição por se tornarem uma inutilidade, afinal, que sentido tem um Dostoiévski, um Fernando Pessoa, um George R.R Martin, um Alan Moore para um mendigo, para um adolescente pobre e semi-analfabeto sem perspectiva ou a um pai de família que trabalha o dia inteiro para sustentar uma família que ele nunca quis? Exatamente – Nenhuma!

E como as obras e ideias desses caras poderiam mudar a vida desses sujeitos? – Elas não podem. Ai está o cerne de toda essa desgraça que é a vida humana... As outras ficções ou realidades sempre serão melhores que a realidade ficcional a que nos acostumamos a chamar de real. Sempre, sempre, sempre faltará algo para que esta realidade seja um lugar capaz de nos proporcionar a nossa plenitude, nosso heroísmo e o nosso encontro com nós mesmos...


Mas então, por que continuamos presos a essa realidade medíocre e limitada, por que não vamos para outro lugar? Sinceramente – não faço a menor ideia. E você sabe como me tirar desse lugar?  


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Eufemismo



Ao que parece
O destino desta alma 
É tornar-se aquilo que s'esquece. 

Sem continuidades ou heroísmo, 
Pois aquele que vive na mediocridade 
A vida não passa de um eufemismo.